Tecnologia

Abra Talks debate evolução da IoT, conectividade e futuro das máquinas inteligentes

No videocast da ABRAFILTROS, Thiago Rodrigues, CEO da Linksfield, aborda o impacto da Inteligência Artificial, os desafios de custo e conectividade e as oportunidades da tecnologia para aumentar a eficiência e a previsibilidade na indústria.

O trigésimo episódio do Abra Talks da ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso, videocast transmitido na TV Filtros/Youtube, trouxe para o debate a evolução da conectividade, a Internet das Coisas (IoT) e o futuro das máquinas inteligentes, com a participação de Thiago Rodrigues, CEO da Linksfield.

Durante a entrevista, Rodrigues destacou que sempre foi fácil prever em termos de telecomunicações o que iria acontecer nos próximos anos, pois o Brasil sempre teve um atraso perante mercados mais avançados como os Estados Unidos e a Europa. “O 4G está ficando muito bom, o 5G está se consolidando, o 2G saindo de cena, mas ainda conectando muitos equipamentos. Mas, em 2022, o cenário muda com o ChatGPT. Com a IA, olhar para os próximos 5 anos está mais difícil”, comentou o CEO.

Segundo Rodrigues, o que trava as empresas a evoluir na conectividade é o custo em escala. Embora hoje o ecossistema tecnológico tenha atingido um patamar de maturidade com componentes mais avançados e mais baratos, geralmente, num projeto são milhões de dispositivos, a conta se multiplica e o retorno deverá ser de milhões também. Mas, mesmo assim, com a queda no custo de componentes e suporte da Inteligência Artificial projetos, que antes eram inviáveis financeiramente, estão saindo do papel. Ressaltou que essa conscientização de levar toda essa tecnologia para o setor fabril deve sair do topo da pirâmide corporativa, pois o verdadeiro valor da IoT não está em apenas conectar equipamentos ou ter um ponto estático em um mapa, mas sim no cruzamento de dados inteligentes que geram mais eficiência operacional, tomada de decisão preditiva e novos modelos de negócios para as empresas.

Três pilares de uma solução de IoT – Rodrigues citou entre os pilares – hardware (dispositivos, sensores plug-and-play, rastreadores); software (painéis de controle, dashboards, regras e automações); e conectividade (redes celulares, Wi-Fi, satélite). Destacou que, no caso das máquinas, há transição do antigo 2G para o 4G. Já o 5G ainda não é essencial para a grande maioria das aplicações de IoT devido ao custo e à pouca exigência de largura de banda para dados de telemetria. Já se fala em 6G, mas ainda não há necessidade nessas aplicações. “É um setor extremamente customizado, é possível conectar um parque fabril simplificadamente e sem investir milhões”, enfatizou.

Para ele, o próximo grande divisor de águas será a conectividade via satélite para suprir a baixa cobertura, especialmente, em rodovias, áreas mais afastadas das cidades e rurais. 

Conectividade e IoT no setor de filtração – Rodrigues explica que a tendência é que cada vez mais ocorram investimentos em melhorias de processos para não perder competitividade. “É preciso ter previsibilidade do equipamento, não ter paradas inesperadas de máquinas, ter uma gestão operacional eficiente e, com toda essa tecnologia, isto começa a se tornar realidade”, diz.

Por onde começar a jornada de IoT nas empresas – O CEO que, hoje, o mais comum com relação à conectividade é iniciar pela gestão e telemetria de frotas logísticas antes de expandir para o chão de fábrica. Destacou a importância da capacitação das equipes para dar transparência aos operadores para que a automação seja vista como ganho de competitividade e eficiência, e não como uma vigilância.

Durante o episódio, outros temas foram abordados como a sustentabilidade e logística reversa, onde Rodrigues cita o projeto da Linksfield de descarte consciente do cartão/chip para tentar reduzir o impacto no meio ambiente.

Também participa do Quadro de Mitos ou Verdades:

– Praticamente tudo que puder ser conectado, estará conectado? Verdade, mas destacou ressalvas sobre privacidade de dados e o uso de dispositivos que gravam o ambiente.

– 5G é sempre melhor que 4G para IoT? Mito – o 4G otimizado para IoT atende perfeitamente e é consideravelmente mais barato.

– O chip físico vai desaparecer? Verdade –  a tendência é desaparecer puxada pelo avanço do eSIM e remoção de gavetas de chips em smartphones e dispositivos IoT.

– Conectar uma máquina antiga é sempre melhor que comprar uma nova? Depende – precisa avaliar o custo-benefício e a precisão dos dados em comparação com a telemetria nativa de máquinas novas.

– No futuro, muitas peça serão substituídas quando o próprio produto disser que chegou a hora e não simplesmente porque o manual mandou? Verdade – será cada vez maior a comunicação entre os componentes.

– Toda indústria deveria estar discutindo a IoT hoje? Depende – nem todas podem estar preparadas, esse é o gargalo.

 

Ao final do videocast, Rodrigues comenta sobre a aceleração exponencial da Inteligência Artificial, o impacto no mercado de trabalho, a dependência de conteúdos gerados por robôs na internet, Teoria da Internet Morta e a importância de preservar a capacidade crítica humana de articular e escrever ideias.

Para acessar a entrevista na íntegra, basta entrar no link: https://www.youtube.com/watch?v=w7p282rWDNU.

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