Reparação

Trend nos anos 80: Abrafiltros apresenta a evolução da logística reversa que revolucionou o destino dos filtros do óleo automotivo em quatro décadas

Impulsionada por exigências ambientais e pela força de iniciativas como o programa Descarte Consciente Abrafiltros, a indústria automotiva contribuiu para substituir práticas inadequadas de descarte por um modelo estruturado de logística reversa e destinação ambientalmente adequada, que já deu destino correto a mais de 57 milhões de filtros usados do óleo lubrificante automotivo.

A nostalgia da Trend dos anos 80 nas redes sociais trouxe muita coisa da época, como cabelos e franjas volumosas, com permanente ou efeito molhado, sombras coloridas aplicadas até a sobrancelha e blush carregado, calças de cintura alta, ombreiras exageradas em blazers, fitas cassete, videogames de cartucho, surgimento da cultura pop global, entre outras saudosas tendências daquele momento.

Mas, de lá para cá, ocorreram muitas mudanças. Com relação ao meio ambiente, a pauta ambiental ganhou espaço e passou a contar com maior conscientização da sociedade, evolução regulatória e exigências mais rigorosas relacionadas à gestão e à destinação de resíduos, responsabilidade compartilhada e reciclagem.

Esse processo também impulsionou diversas iniciativas setoriais voltadas à sustentabilidade, como a atuação de empresas e entidades do setor industrial, a exemplo da ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso, que desenvolveu, em 2012, o Descarte Consciente Abrafiltros, programa de logística reversa de filtros usados do óleo lubrificante automotivo, inicialmente para atender à legislação ambiental do Estado de São Paulo. O programa foi ampliado, em 2013, para o Paraná; em 2015, para o Espírito Santo; e, em 2020, para Mato Grosso do Sul.

O descarte nos anos 80

Na década de 1980, a gestão ambiental de resíduos ainda não contava com a estrutura de logística reversa e os mecanismos de responsabilidade compartilhada que existem atualmente. No cotidiano de oficinas, centros automotivos e concessionárias, os filtros usados do óleo — estruturas metálicas contendo óleo lubrificante residual e elementos filtrantes de papel — eram frequentemente tratados como resíduos sem uma sistemática estruturada de coleta, processamento e destinação ambientalmente adequada.

 

 

O descarte irregular desse tipo de resíduo pode representar riscos ambientais, principalmente em razão da presença de óleo lubrificante residual e de outros materiais contaminados. Quando descartados de maneira inadequada, os filtros podem contribuir para a contaminação do solo e dos recursos hídricos, além de dificultar a recuperação e o aproveitamento dos materiais que compõem o produto.

A evolução das práticas ambientais permitiu que esse cenário fosse gradualmente transformado, com a adoção de mecanismos de coleta, transporte, processamento e destinação adequada dos filtros usados.

Cenário atual e a legislação

Hoje, o cenário mudou graças à evolução da legislação ambiental, incluindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e suas diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, às responsabilidades dos geradores e do poder público, bem como às legislações estaduais e normas específicas que estabelecem a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

Além da legislação, houve também maior conscientização sobre a preservação do meio ambiente e a necessidade de adoção de práticas que assegurem a destinação ambientalmente adequada dos resíduos.

Atualmente, alguns setores contam com programas de destaque, como o Descarte Consciente Abrafiltros, que contribui para o atendimento das metas legais e para que o descarte dos filtros usados ocorra de forma ambientalmente adequada.

No programa Descarte Consciente Abrafiltros, os filtros do óleo lubrificante automotivo usados são coletados nos quatro estados abrangidos pelo programa, com metas gradativas. Durante o processamento, passam por etapas de triagem, trituração, prensagem e centrifugação, permitindo a separação de seus diferentes componentes.

Após o processamento e a descontaminação, o metal é encaminhado para siderúrgicas; o OLUC – Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado – segue para rerrefino; e outros resíduos são destinados ao coprocessamento em cimenteiras, culminando em uma reciclagem 100%.

De 2012 até agora, já foram reciclados mais de 57 milhões de filtros usados do óleo lubrificante automotivo, em especial nos estados regulados. Trata-se de um processo que envolve custos elevados e é integralmente custeado pelas empresas participantes do programa, sendo imprescindível o tratamento não discriminatório e a inexistência de discrepância nas obrigações de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, bem como a manutenção da isonomia das condições de concorrência no mercado interno filtros do óleo lubrificante automotivo.

 

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