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Mobilidade

Segurança ao volante também passa pela saúde mental

Quando se fala em segurança no trânsito, alguns cuidados são imediatamente lembrados: respeitar os limites de velocidade, não usar o celular, manter o veículo em boas condições e nunca dirigir depois de consumir bebidas alcoólicas. Para quem vive do volante, no entanto, existe outro fator que merece entrar nessa lista: a saúde mental.

Estresse, ansiedade, irritabilidade, cansaço e problemas de sono podem afetar a concentração, a percepção de riscos e a tomada de decisões ao volante. Em setembro, o tema ganha ainda mais relevância com o Setembro Amarelo e a Semana Nacional de Trânsito, realizada de 18 a 25 de setembro. As duas mobilizações colocam em evidência um aspecto nem sempre associado à segurança viária: as condições físicas e emocionais de quem passa boa parte do dia dirigindo também podem fazer diferença para um trânsito mais seguro.

“Quando pensamos no motorista de aplicativo, precisamos lembrar que o veículo é o local onde ele passa boa parte do dia, tomando decisões e lidando com trânsito, prazos e outras questões. Cuidar da saúde mental dessa pessoa é cuidar também da segurança dos passageiros e de quem compartilha as ruas e estradas”, afirma Ariane Monaro, diretora executiva da Autonomoz, empresa de mobilidade corporativa que atua com motoristas parceiros.

Estresse pode chegar ao volante

Dirigir exige atenção constante e uma sequência contínua de decisões: acompanhar o movimento dos veículos, observar motociclistas, ciclistas e pedestres, interpretar a sinalização e reagir a imprevistos. Para os motoristas de mobilidade corporativa, soma-se ainda a responsabilidade pela segurança dos passageiros. Nesse contexto, perceber sinais de cansaço, estresse ou dificuldade de concentração e reconhecer quando não se está em boas condições para dirigir também fazem parte do cuidado com a segurança.

Uma pesquisa publicada na revista Psicologia: Ciência e Profissão, do Conselho Federal de Psicologia, avaliou a qualidade do sono, o estresse e a qualidade de vida de motoristas profissionais brasileiros e encontrou associação entre sono ruim e presença de estresse e ressaltaram que essas variáveis têm impacto sobre a atividade laboral dos condutores.

Outro estudo, publicado no Eastern Mediterranean Health Journal, periódico científico da Organização Mundial da Saúde (OMS), analisou fatores de estresse entre motoristas profissionais. Mais de 50% dos participantes relataram acelerações ou desacelerações bruscas relacionadas ao estresse, enquanto mais de um quarto relatou falhas cognitivas associadas ao estresse durante a condução.

Na prática, os dados mostram por que saúde emocional e comportamento no trânsito não devem ser tratados como assuntos completamente separados. “Um motorista sob pressão emocional pode ficar mais irritado, ter dificuldade para manter o foco ou tomar decisões de maneira mais impulsiva. O primeiro passo é reconhecer que isso também faz parte da sua saúde. O motorista precisa perceber os próprios limites e procurar ajuda quando alguma coisa não está bem”, afirma Ariane.

Dormir bem também faz parte da segurança

Saúde mental e qualidade do sono estão relacionadas. Uma revisão sistemática publicada em 2022 no Eastern Mediterranean Health Journal, da OMS, reuniu 17 estudos sobre sonolência e sinistros de trânsito. A análise concluiu que tanto a sonolência quanto a privação de sono estão relacionadas à ocorrência de acidentes. A revisão cita ainda evidências de que dormir seis horas por dia esteve associado a um risco 33% maior de acidentes em comparação com sete ou oito horas de sono.

Os efeitos do cansaço e do estresse sobre a direção mostram que a prevenção não depende apenas do comportamento do motorista. Para quem passa horas ao volante, ela também envolve condições que favoreçam atenção, descanso e percepção dos próprios limites.

Na Autonomoz, a prevenção faz parte da rotina dos motoristas parceiros, com suporte das viagens em tempo real por videotelemetria e orientações periódicas sobre direção defensiva, condução segura e fadiga. A empresa também acompanha indicadores da operação e reforça práticas que ajudam a reduzir comportamentos de risco.

Segurança também é cuidar de quem está ao volante. Além de orientar sobre os sinais de cansaço e fadiga, a Autonomoz reforça a importância de manter o veículo com a manutenção em dia e em condições seguras para a operação. A prevenção faz parte de uma mobilidade mais responsável e deve estar presente na rotina de motoristas e empresas durante todo o ano”, afirma Ariane.

Sinais que merecem atenção

O cuidado com a saúde mental não precisa começar apenas diante de um quadro grave. Mudanças persistentes de humor, irritabilidade acima do habitual, dificuldade para dormir, perda de concentração, cansaço constante e sensação de sobrecarga são sinais que merecem atenção e, quando necessário, avaliação de um profissional de saúde.

Cuidados cotidianos também podem contribuir para uma rotina mais saudável e segura, como respeitar períodos de descanso, evitar dirigir com sono, realizar pausas, manter uma rotina adequada de alimentação e, principalmente, reconhecer os momentos em que não existem condições físicas ou emocionais adequadas para continuar ao volante.

“Entre profissionais autônomos, ainda existe uma forte cultura de seguir trabalhando mesmo diante do cansaço, do estresse ou de sinais de desgaste emocional. Mas reconhecer que não está bem não significa perder produtividade. Um motorista descansado, atento e emocionalmente equilibrado tem mais condições de exercer sua atividade com segurança. Precisamos falar sobre saúde mental também como parte da valorização desses trabalhadores”, acrescenta Ariane.

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