Mobilidade

Do escapamento à qualidade do ar: como o catalisador automotivo ajuda a reduzir riscos à saúde nas cidades

Tecnologia transforma gases tóxicos emitidos por veículos em substâncias menos nocivas e contribui para a melhoria da qualidade do ar urbano

A poluição do ar é hoje um dos principais fatores de risco à saúde humana, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Nesse contexto, o relatório “State of Global Air 2025” (Estado Global da Qualidade do Ar 2025) aponta que a poluição atmosférica foi responsável por 7,9 milhões de mortes em 2023, consolidando-se como o segundo principal fator de risco para morte, atrás apenas da pressão alta.

Uma parcela relevante dessas emissões está associada às emissões veiculares, especialmente nos centros urbanos. É nesse contexto que o catalisador automotivo se torna peça-chave. “Instalado no sistema de escapamento, o componente atua na conversão de gases tóxicos gerados pela combustão em substâncias menos nocivas, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade do ar e para a proteção da saúde da população”, destaca Miguel Zoca, gerente de Aplicação de Produtos da unidade de Catalisadores Automotivos da Umicore.

No Brasil, a efetividade de soluções como os catalisadores pode ser observada na prática. A combinação entre evolução tecnológica e normas ambientais mais rigorosas, como as implementadas pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), tem impulsionado a redução de poluentes associados às emissões veiculares.

Um exemplo desse avanço pode ser observado nos dados do “Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários” (ano-base 2024), publicado em dezembro de 2025, que mostram que as emissões anuais de monóxido de carbono (CO) no país caíram de cerca de 5,5 milhões para 1 milhão de toneladas entre 1991 e 2024. O documento aponta que essa redução está associada à adoção de tecnologias de controle de emissões, como os catalisadores, além de melhorias nos sistemas de alimentação de combustível.

Dos gases tóxicos à saúde: o que muda com o catalisador

Com a atuação do catalisador automotivo, o monóxido de carbono é convertido em dióxido de carbono (CO₂); os óxidos de nitrogênio (NOx) são transformados em nitrogênio (N₂) — gás que compõe a maior parte do ar atmosférico — e água; e os hidrocarbonetos (HC) são convertidos em vapor d’água e dióxido de carbono.

Essa transformação é relevante porque esses poluentes têm efeitos diretos no organismo. Entre eles, o monóxido de carbono é um gás altamente tóxico e asfixiante, que reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio. A exposição pode causar tontura, fadiga e, em concentrações elevadas, levar à morte.

Os óxidos de nitrogênio afetam diretamente o sistema respiratório, estando associados ao agravamento de doenças como asma, bronquite e enfisema. Já os hidrocarbonetos (HC) incluem compostos que podem ser tóxicos e até cancerígenos, além de estarem associados a irritações nos olhos, nariz e garganta e ao agravamento de problemas respiratórios.

“Ao longo das últimas décadas, os catalisadores evoluíram significativamente e hoje são capazes de reduzir de forma expressiva a emissão de poluentes nocivos. Em um cenário de aumento da frota, essa tecnologia segue sendo essencial para mitigar os impactos da mobilidade na qualidade do ar e na saúde da população”, afirma Zoca.

Leave a Response

cinco × 4 =