Mobilidade

Carros híbridos: a nova era da mobilidade sustentável

por Conrado Gomes*

A transição para tecnologias mais limpas tornou-se uma prioridade global, e o setor automotivo está na vanguarda dessa transformação. No Brasil, os veículos híbridos emergem como uma solução promissora, combinando motores a combustão otimizados com sistemas de propulsão elétrica, resultando em significativa redução no consumo de combustíveis fósseis e nas emissões de CO₂. Um estudo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em parceria com o Boston Consulting Group, indica que, até 2030, as vendas de veículos híbridos e elétricos leves no Brasil podem ultrapassar 1,5 milhão de unidades, superando as vendas de veículos exclusivamente a combustão. Além disso, estima-se que esses veículos representem mais de 90% das vendas totais em 2040. Atualmente, esses veículos representam cerca de 7% do mercado nacional – já são mais de 50 modelos de veículos híbridos e híbridos plug-in disponíveis ao consumidor brasileiro.

Esse avanço é impulsionado por investimentos significativos das grandes montadoras no país, transformando o Brasil em um hub regional para a produção de veículos híbridos. Esse movimento não apenas impulsiona a produção local, mas também fortalece a cadeia de fornecimento, uma vez que há um esforço crescente para ampliar o conteúdo nacional dos componentes e, assim, maximizar os benefícios das políticas de incentivo.

O governo brasileiro tem desempenhado um papel fundamental nesse cenário, implementando políticas públicas que incentivam a produção e o consumo de veículos híbridos e elétricos. Em janeiro de 2024, foi anunciada a política industrial “Nova Indústria Brasil”, que prevê a liberação de 300 bilhões de reais até 2026 para financiar iniciativas de neoindustrialização, com foco no desenvolvimento de tecnologias e matrizes energéticas sustentáveis. Além disso, o Programa de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) oferece benefícios fiscais e apoio financeiro para impulsionar a descarbonização e a eficiência energética, promovendo a ampliação dos investimentos em tecnologias limpas e a criação do IPI Verde, que reduz impostos para veículos menos poluentes.

A adoção de veículos híbridos no Brasil também é facilitada pela infraestrutura existente para biocombustíveis, especialmente o etanol. O país possui uma das maiores indústrias de etanol do mundo, o que torna os veículos híbridos-flex uma opção particularmente atraente. Esses modelos permitem que os consumidores utilizem etanol, gasolina ou eletricidade, oferecendo flexibilidade e economia. Além disso, a combinação de motor a combustão e propulsão elétrica pode reduzir em até 30% o consumo de combustíveis fósseis e as emissões de CO₂ em comparação com veículos convencionais.

A expansão dos veículos híbridos também impulsiona o desenvolvimento de novas tecnologias e a modernização da indústria automotiva. Com a crescente demanda por veículos mais eficientes, fornecedores e centros de pesquisa trabalham para aprimorar sistemas de propulsão, baterias e componentes eletrônicos, reduzindo custos e tornando os modelos cada vez mais acessíveis ao consumidor. Esse avanço tecnológico estimula a inovação em toda a cadeia produtiva, fortalecendo a competitividade da indústria brasileira no cenário global.

Em suma, o Brasil está em um caminho promissor rumo à mobilidade sustentável, com os veículos híbridos desempenhando um papel central nessa transformação. O alinhamento entre investimentos privados, políticas públicas e a infraestrutura existente para biocombustíveis posiciona o país de forma estratégica no cenário global da indústria automotiva. Para consolidar essa trajetória, é essencial continuar avançando na inovação e na ampliação das políticas de incentivo, garantindo que a mobilidade sustentável seja um motor de crescimento para o país nas próximas décadas.

 

Por Conrado Gomes*

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